Neuetsukes investiga a sexualidade contemporânea por meio da construção de um vocabulário visual que articula fetiche, memória e representação. Partindo da tradição erótica do shunga japonês e da tipologia dos netsukes, a série desloca esses referenciais históricos para um campo de experimentação ligado ao imaginário gay masculino.
As seis peças, modeladas em FIMO, operam como um microarquivo de gestos e práticas, condensando em pequena escala um repertório simbólico que oscila entre o íntimo e o codificado. A escolha da miniatura não apenas intensifica a relação tátil e voyeurística com o objeto, mas também sugere um regime de atenção próximo ao colecionismo e ao segredo.
A apresentação em estojo de veludo vermelho e cetim introduz uma dimensão performativa: o ato de abrir a caixa transforma-se em dispositivo narrativo, evocando tanto a lógica do relicário quanto a de um inventário erótico. Nesse contexto, o trabalho propõe uma reflexão sobre como o desejo é organizado, armazenado e revelado na cultura contemporânea.