Em Miríades, a escultura se organiza a partir da repetição insistente de formas mínimas que se agregam em estruturas densas e proliferantes. Pérolas, nódulos, brotos e pequenas ramificações constituem um vocabulário formal que oscila entre o biomórfico e o ornamental, sugerindo processos de crescimento contínuo.
Cada elemento parece conter em si a possibilidade de desdobramento. A forma se replica, se acumula e se transforma, criando superfícies saturadas nas quais o detalhe se multiplica até produzir uma sensação de abundância quase infinita.
A escala íntima aproxima as peças de relicários, talismãs ou pequenos altares dedicados à potência generativa da matéria. Nesse território entre o precioso e o orgânico, a escultura se afirma como campo de proliferação: um sistema em que o singular nunca existe isoladamente, mas sempre como parte de uma multiplicidade.
Miríades propõe, assim, uma poética do excesso e do crescimento — uma constelação de formas que aponta para a ideia de infinito.