Línguas dá continuidade à investigação iniciada em Neuetsukes, na qual o artista se apropria de objetos historicamente associados aos netsuke. Nesta série, o foco desloca-se para os inro, reinterpretados como estruturas escultóricas que evocam línguas articuladas, protuberantes e proliferantes.
Ao abandonar o caráter taxonômico anterior, o trabalho concentra-se na construção de superfícies. Fragmentos do corpo tornam-se unidades modulares que recobrem estruturas instáveis, produzindo uma pele marcada por repetição, ornamento e excesso. Pequenas pérolas emergem como secreções ambíguas, instaurando dinâmicas de expansão e multiplicação.
Entre miniatura e proliferação, as esculturas operam por camuflagem e revelação. A sexualidade surge primeiro dissolvida na forma para, em seguida, tornar-se explícita, evidenciando a ambivalência do desejo contemporâneo — simultaneamente exposto e reprimido. O trabalho transforma o objeto em um campo de contaminação simbólica onde o corpo irrompe como excesso.
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